sábado, 22 de novembro de 2008

A VIAGEM (PARTE I)

Conto-vos agora a minha aventura por terras portuguesas:
Aguardava ansiosamente a hora em que a aula acabasse e o professor desse ordem de saída. O relógio parecia agora meu inimigo, juro que por momentos pareceu andar para trás. O relógio marcava agora as 14:00 e o professor começava a resolução de um problema no quadro, resolução essa que demoraria 10minutos a ser terminada. Acabou a aula, e como um louco corro para a saída, e grito: “Hasta Lunes”, a que respondem, “buena viaje”, “Boa Viagem” e mesmo um que se atreve a dizer “Bon voyage”. Dirijo-me então, com um passo apressado até aquela que agora é a minha casa e sem ligar sequer a luz pego na mala que estava a entrada de casa e trancando a porta inicio então a viagem que me levará para junto daqueles que mais gosto. Huesca parecia agora para mim uma grande cidade em que tudo fica longe (o que não é bem assim, excepto o mcdonalds), cheguei a estação de autocarros as 14:40 “RHODER”, acabei de perder o autocarro, e tive de esperar então pelo das 15:00, esperei pacientemente, com toda a calma possível do momento e entrei. Autocarro cheio de gente! Finalmente começou a andar, e sentia-me cada vez mais longe desta minha nova realidade, cada vez mais longe de Huesca, cada vez mais próximo de Portugal. Trajecto que era suposto ser de uma hora, foi de hora e meia. O senhor condutor parecia querer parar em tudo quanto fosse terrinha. Por fim Zaragoza, procurei então um autocarro que dissesse AEROPUERTO, e como a sorte não parecia estar do meu lado, descobri, 30minutos depois que estava a procurar do lado errado da grande “ESTACIÓN DELICIAS”. E ali estava ele, a minha espera, aproximava-me dele a pensar “um autocarro confortável que me vai levar rapidamente ao aeroporto” (descobri depois que estava redondamente enganado). Autocarro cheio, ali larguei 1,50€ e junto a porta de entrada, com a mala entre as pernas fui-me equilibrando o melhor que pude. Pensava eu que iria num avião para Madrid cheio e que com a sorte de hoje só podia mesmo ir de pé, ou até mesmo sentado na retrete. Mas de repente, o autocarro parou, e saiu praticamente toda a gente, ficando apenas eu e mais 2 pessoas, “estação terminal?”, pensei eu, mas duas senhoras, já com a sua idade entraram e perguntaram se o autocarro ia para zaragoza, ao que o pouco-simpatico conductor respondeu, “no, este autobus vá al aeropuerto”, mas as senhoras insistentemente entraram com a certeza de que se o autocarro ia, também voltava, logo, também elas largando os seus 1,50€ cada uma se sentaram mesmo a frente do lugar no qual eu agora permanecia. O autocarro acelerou a fundo e ia agora mais depressa que nunca por ruas secundárias vazias, por entre fábricas de aspecto abandonado. E como Zaragoza, tal como Massamá, é adepta de rotundas, por cada uma que passávamos a senhora que se encontrava do lado do corredor, gritava em plenos pulmões: “VOY CALIR, ESTÁ LOCO, VOY CALIR; QUE ÉS ESO FORMULA UNO?” palavras essas que faziam o condutor carregar com mais convicção no acelerador. Tentei não rir, mas acho que não consegui, pois a senhora que se encontrava do lado da janela olhou para trás com um olhar reprovador, e eu pensei “sou português, provavelmente já não gostas muito de mim, por isso se tenho a fama quero o proveito”…E pois bem, estive mais 1 hora naquele autocarro até que uma voz feminina electrónica diz: “Aeropuerto de Zaragoza: estación terminal”.
Ao conferir no painel de partidas do aeroporto fiquei feliz de saber que apenas faltavam partir 2 voos para partir o meu, o que não fiquei tão feliz foi de saber que faltavam 3 horas para que isso acontecesse. Fui comprar o sudoku, e sentado numa cadeira de frente para o painel de partidas e chegadas fiz 2 sudokus completos, e depois fartei-me, olhei para o relógio e parecendo que já tinha passado 1 hora e tal, constatei, por um lado feliz, e por outro tristemente que tinha passado apenas 20 minutos, feliz porque fazer 2 sudokus em 20 minutos é muito bom para mim e tristemente porque continuava a faltar bastante tempo para sair daquele aeroporto minúsculo.
Levantei-me e passeei pelo aeroporto, ainda não tinha aberto o balcão de check-in. Dirigi-me então ao único semi-café que existia e pedi um bocadillo de jamon York e queso e uma Pepsi. Sentei-me numa das mil e uma mesas vazias, e lá comi a minha sandes, com a maior calma que podia imaginar. Depois de terminar esperei mais um pouco e quando faltava 1 hora decidiram abrir o check-in, lá fui eu fiz o meu check-in despachando a minha malinha que tanta companhia me tinha feito ate agora. Entrei para a zona de embarque onde soube que o voo estava meia hora atrasado. Por fim, e com a sala de embarque cheia com as 6 pessoas que para alem de mim iriam fazer esta maravilhosa viagem com destino a Madrid. Por fim chegou o avião (não creio que se possa dar esse nome a um pedaço de metal que “voa”. Saímos do aeroporto e com o vento gélido na cara tivemos de andar uns bons metros ate chegar ao avião cuja porta era a própria porta. Um carrinho ou dois para nos levar ate ao avião não era nada mal pensado, mas é neste momento que se nota a “crisis” pela qual a Espanha está a passar. Pois bem, já dentro do avião, e depois de ligar os motores, a assistente de bordo decidiu começar a demonstração de emergência, enquanto a outra falava ao microfone, não sei bem porque com o barulho dos motores não se ouvia mais nada. Um aeroporto tão pequeno e tanto tempo a andar de avião ate chegar a pista… Por fim, o avião a toda a potencia inicia as manobras de descolagem e em pouco tempo estamos no ar. Passam as senhoras com o trolley das bebidas e perguntam: “quieres beber alguna cosa?” ao que eu respondo com um sorriso que uma coca-cola normal seria o ideal. Entregam-me então uma mini-lata de coca-cola, ora bolas, eu pedi uma coca-cola não uma amostra de uma. E outro dia conto-vos o resto da minha aventura que ainda agora começou…(CONTINUA)

1 pergaminhos:

Anónimo disse...

uma mini coca-cola normal?! quase que nem posso crer :D